Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2013
Desejos para hoje
Até já, vou regressar a Lisboa. Até já, vou regressar ao Chiado, onde o sol brilha mas esta frio e as águas estão geladas.
Quinta-feira, 3 de Janeiro de 2013
Nos idos meses quentes
Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013
Na última noite do ano, na primeira madrugada do ano
Sentados nas escadas. Os nós das gravatas já estiverem mais compostos. No ar uma qualquer música para dançar de melodia triste. Elas dançam com os seus vestidos verdes e encarnados Dior e Chanel em cima dos sapatos de salto alto sob as luzes douradas. Ttermina mais um ano", diz-me. Aceno com a cabeça. Bebo mais um gole do Martini que tenho nas mãos. "Tens erva?", pergunta-me. "Não, não tenho", e sinto a voz arrastar-se. "Não faz mal, fumo mais um cigarro". Estende-me o maço que recuso. Fala-me de uma maquina de escrever que comprou na amazon, a prenda para si próprio. Diz-me que começou a escrever, "Sabes o que é isso?". Abano em cabeça em negação. Prefere escrever em papel em vez de guardar no disco rígido de um computador. Diz que como as revistas e os livros, prefere o real. Não sabe da existência disto aqui. fuma e fala. Oiço-o em segundo plano, por detrás da música. Vejo-o em segundo plano, por detrás das pessoas que dançam contentes.
A última noite do ano é como que um filme em 12 planos. Um por cada mês. Faço listas mentais Quero beber mais vinho tinto. Quero escrever mais. Quero beija-la mais. Quero ler mais. Quero apanhar mais ondas. Quero muitas coisas e quase nenhuma envolve dinheiro. E isso deixa-me contente.
Interrompo-o. Dou um gole que acaba com o resto do Martini que tinha no copo. "Não vamos passar a noite aqui como dois parvos nas escadas, pois não?" E metemo-nos no meio das pessoas que dançam contentes a melodia triste que esta no ar.
Antevisão de um futuro modernista
Somos a última pessoa viva. Somos o último coração que bate. Já não nos cruzamos ao longo do dia com autómatos de dentes perfeitos e roupas sem vincos. Como catálogos da Net-a-Porter ou Mr Porter. Fatos e vestidos imaculados em pessoas de uma só expressão sentadas em secretárias demasiado arrumadas.Não ouvimos mais a tocar nos altifalantes nos cruzamentos a música Byebeyland dos Guilemonts.
Os espelhos já não nos dão reflexos, mas dão-nos memórias. A nossa memória é uma fita de 8mm antiga com saltos na imagem. Vivemos numa cápsula que nos dá a ideia de espaço, mas vivemos em 2 metros quadrados. Não conhecemos o conceitos de beleza, confunde-se com o que ainda nos lembramos. Os únicos cheiros que ainda conhecemos vem por um tudo pequenino ao fundo na cápsula. Recriamos a história todos os dias quando acordamos. Não sabemos como são os dias. Não sabemos de que cor é ainda o sol.
Então, foi assim
Domingo, 30 de Dezembro de 2012
Ultimo post do ano
Mas o que o ano tem de importante são as pessoas. As do olá do café. As que estavam ao meu lado nos concertos. As que me pegaram na mão. As que atenderam as minhas chamadas, que responderem às SMS, aos emails.
Um bom ano. Simples, directo. E que seja feliz
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012
A memória atraiçoa-me para o final do ano
Numa corrida renhida apenas pelo meu critério Deftones junta-se a Tame Impala nos melhores álbuns. Aquela onda da Praia da luz não teve concorrência. Ela riu-se depois de cair de cima da prancha. Warriors visto de madrugada, Rust & Bone visto num sábado de manhã e Shut up and play the hits visto à noite sempre sozinho. Tom Hardy a provar-me que os duros ainda têm lugar no cinema. Lana del Rey abraçou os 60 revisitados em 2012. New Balance nos pés e A.P.C. no corpo. Kafka à Beira-mar e Belos e Malditos fizeram-me sonhar e continuar a escrever.
Bom dia, Tristeza - A roda de mails
Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012
Bom dia, Tristeza
Para cortar o cabelo, se faz favor
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012
Natal, ao Sul
Domingo, 23 de Dezembro de 2012
Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2012
Sobre o Natal
Não interessa a religião. Acontecimento cultural. Ícone Pop pelo Chiado acima Chiado abaixo para as últimas prendas. Não sou o maior adepto do Natal. Não desde que, contra vontade própria, me vi obrigado a crescer. Hora de almoço é como o ano passado, comi Bacalhau com Natas. O mais próximo que encontro da tradição. Voltei a beber uma ginginha a seguir a outra. E lá vem ela, a maldita da nostalgia. Isso e não ser capaz de guardar mágoa ou rancor a nada e a ninguém. Mas o pior em que com a nostalgia vem a sacana da melancolia. Álcool é um bastardo desgraçado. Abraços e beijos para todos, um Feliz Natal. E começo a desejar com força a noite de dia 24, que será passada entre correrias. Mas não interessa. Que se lixem as prendas, que se lixem as lembranças. Este ano quero é sorrisos. Como o ano passado. Como o ano que vem. E para sempre. Gostava que todos tivessem sorrisos. Nada é mais importante.
Porque esta altura é lixada. Há quem nada tenha. Há quem não tenha um lugar ao lado para jantar com alguém. Para partilhar o que quer que seja. Mas nós vamos tendo. Mas há quem insista a sorrir. Pois vamos sorrir de volta. Faremos o dia de alguém ter valido a pena.
Tradição. O último post no último dia de trabalho antes do Natal. O ano passado foi assim
E se fossemos um conjunto de marcas?
New Balance;
A.P.C.;
Apple;
Sr. Prudêncio;
Warriors of Radness.
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012
Música para....
A man that was bigger than the world itself
Diz-me para onde olhas
Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012
Para lá do som final
Foram três gerações
O meu Avô vivia no Algarve durante o Estado Novo. Um dia decidiu fugir clandestino num barco rumo a França. Lá desembarcou e rumou até Paris. Fez-se amigo de um tipo mais velho que se chamava Henri. Esse tipo ajudou-o nos primeiros tempos, arranjou-lhe um sítio para dormir e onde trabalhar. Apresentou-lhe aos amigos. O meu avô gostou de Paris naquela altura. Mas gostou ainda mais da namorada de Henri, Marie. Apaixonaram-se e decidiram ficar juntos. Henri e os amigos não lhes perdoaram. Ficaram sozinhos mas eram felizes. O meu avô trabalhava num restaurante e Marie num atelier. Marie engravidou e ambos queriam aquela criança. Mas Marie não aguentou o parto e morreu a dar à luz o meu pai. Sozinho o meu avô não tinha nem sabia como cuidar de um recém-nascido e decidiu regressar a Portugal, ao Algarve, onde ainda teria família. Regressou a casa dos pais mas só a mãe era viva. Aceitou receber o filho que não via há anos e o neto. O meu avô começou a trabalhar nas docas tal como o seu pai. Juntou um pouco e abriu uma pequena peixaria. Nunca faltou nada ao meu pai. O meu avô e o meu pai voltaram a ficar sozinhos quando morreu a avó do meu pai. O meu avô nunca quis que o meu pai começasse a trabalhar, queria mandar o meu pai para Lisboa para tirar um curso. Nos últimos anos o meu avô já estava muito doente. Na altura não conseguiram identificar do que ele padecia. Como se a vida depois de tudo começasse a esgotar-se. Só tinha aguentar mais uns anos até o meu pai terminar o seu curso, depois teria o seu descanso. O meu avô visitou Lisboa apenas para ir ver o meu pai receber o seu diploma e pela primeira vez desde que tinha recebido o filho dos braços do médico quando lhe disse a mãe não tinha sobrevivido ao parto voltou a chorar. Na viagem de regresso ao Algarve no comboio que os iria levar a Faro morreu ao lado do meu pai em silêncio. Soltando um último suspiro. Depois do funeral o meu pai começou a trabalhar no Hospital de Lagos mas à parte disso visitava algumas famílias da Meia Praia para ver a saúde dos miúdos. Com o apoio da Câmara Municipal conseguiu criar um plano de apoio às famílias mais carenciadas do-pós 25 de Abril. A fama do trabalho do meu pai alastrou-se e começaram a bater-lhe à porta pessoas de todo o Algarve que não conseguiam ou tinham meio para cuidados de saúde. A todos o meu pai abriu as portas da sua casa onde vivia sozinho. Muitas vezes pagava do seu bolso os medicamentos que essas pessoas necessitavam. Com o tempo abriu um consultório e continuou sempre com o plano de visita às famílias da Meia Praia. Recebia gente de posses e gente sem posses. O primeiro cuidado que dava era um sorriso. Os anos avançaram e a sua fama crescia, um médico novo que não tinha 30 anos recebia todos e ajudava quem precisasse. Um dia apareceu no consultório uma jovem morena de olhos verdes. Era assistente social e estava a preparar o projecto de final de curso e gostava que fosse sobre o trabalho que o meu pai vinha a desenvolver. O meu pai recusou ao início, fazia as coisas porque acreditava que devia àquela gente algo. Não fazia nada por fama ou glória. Com a insistência da jovem e com a promessa que o seu nome nunca seria mencionado lá aceitou. Com o passar das semanas tornaram-se próximos e apaixonaram-se. Decidiram casar e o meu pai finalmente saiu da casa do seu pai e da sua avó. Doou essa para continuar o projecto que tinha iniciado. Mudaram-se para uma casa na Praia da Luz e deixaram Lagos. Passados uns meses após o casamento a minha mãe ficou grávida. Uma gravidez que foi complicada e eu nasci prematuro. Durante o parto houve sérias dúvidas quem sobreviveria ou se algum de nós iria sobreviver. Mas contra todas as expectativas sobrevivemos os dois. O dia-a-dia do meu pai nunca se alterou até ao dia em que a vida lhe fugiu. Num Domingo de manhã levantou-se cedo como sempre e morreu. Levantou-se nesse dia somente para morrer. Um ataque cardíaco. O assassino silencioso.
My iPhone love my Kicks
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012
Hoje foi o dia
A Time diz quais as fotos do ano
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012
Depois do Almoço
O telefone tocou às 5 da manhã
Domingo, 16 de Dezembro de 2012
Está doente
Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2012
Sou um pessimista que quer à viva força ser um optimista
Mas custa. Custa muito. Custa quando alguém entra numa escola e prime o gatilho. Custa acreditar que o Homem é cruel. Custa saber que o Homem tem um ódio pelo seu semelhante. Custa acreditar que o Homem consiga matar crianças, que lhe tiraram o tempo para se desenvolverem e conhecer as coisas boas que o mundo ainda vai tendo. Custa acreditar que aquelas crianças, em particular, não vão saborear mais o afecto, o amor, o carinho. Custa acreditar que aquelas famílias vão ter um fim nas fotografias em que registavam o crescimento daquelas crianças.
O mundo é, muitas vezes, um lugar de merda. E hoje, nos EUA, em Newtown, Connecticut, é o inferno numa escola primária. Caíram 27 pessoas, 25 delas crianças. Que crime cometeram para além de terem nascido? Que crime terão feito para merecer a morte pela mira de um homem? Nada merece a morte. Ninguém merece a morte. Essa é a minha convicção de pessoa, essa é a minha convicção de formação. O que fazes em vida, pagas em vida. Mas há castigos que são difíceis de ser satisfeitos.






































